terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Igreja em tempos de crise

A Conferência Episcopal Portuguesa emitiu uma nota, através do seu Conselho Permanente, no passado dia 17 de Setembro.
A nota, divulgada no final da reunião em Fátima, realça a Missão da Igreja num país em crise, não apenas financeiramente, mas social e culturalmente. Sem esquecer o inesgotável papel que as Instituições de Solidariedade têm prestado à sociedade, às comunidades e às pessoas.
A visão de uma sociedade portuguesa fracturada, em crise, em sofrimento e em dificuldades é fundamentada em três vectores: A Igreja e a comunidade política; A Igreja e o actual momento da sociedade portuguesa; e Renovação cultural.

sábado, 15 de setembro de 2012

24º Domingo do Tempo Comum (16 setembro)

24º Domingo do Tempo Comum - Ano B
Tema do 24º Domingo do Tempo Comum

A liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum diz-nos que o caminho da realização plena do homem passa pela obediência aos projectos de Deus e pelo dom total da vida aos irmãos. Ao contrário do que o mundo pensa, esse caminho não conduz ao fracasso, mas à vida verdadeira, à realização plena do homem.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. Contudo, o profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projecto, triunfará sobre a perseguição e a morte. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Jahwéh” a figura de Jesus.
A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos.
No Evangelho, Jesus é apresentado como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena. Cumprindo o plano do Pai, Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)
I Leitura – Is 50,5-9A (Leitura do Livro de Isaías)
Salmo Responsorial – Salmo 114 (116)
II Leitura - Tiago 2,14-18 (Leitura da Epístola de São Tiago)
Evangelho - Mc 8,27-35 (Evangelho segundo São Marcos)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Igreja e a Crise

Como é que a Igreja vê os mais recentes anúncios de medidas e políticas de austeridade.
Importante seria que as vozes não fossem apenas avulsas e personalizadas, e que a Comissão Episcopal Portuguesa tomasse uma posição conjunta.

Eugénio da Fonseca, em declarações à Renascença, apela ao Governo para que afecte verbas no Orçamento que protejam socialmente os portugueses com dificuldades.

O bispo das Forças Armadas classificou de “ataque atroz aos trabalhadores” as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro e disse ser altura de dizer “basta” ao que considera ser uma “vilania”, “insensibilidade” e “insensatez”.

Misericórdias pedem equidade na repartição dos sacrifícios
Presidente da União das Misericórdias Portuguesas critica políticas sociais erráticas do Estado.

Arcebispo de Braga está preocupado com os mais pobres e sugere que o Executivo alivie os sacrifícios.

D. Ilídio Leandro critica a mesma receita de sempre, que é a subida de impostos. Considera ainda que a “há muito amadorismo na prática política em Portugal”

Vozes da Igreja contestam medidas que conduzem ao empobrecimento e que traduzem injustiça
Os presidentes da Cáritas Portuguesa e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade - CNIS, juntaram-se ao coro de críticas às novas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças.

Bispo apela à prática da solidariedade
O bispo auxiliar do Porto, Pio Alves, exortou hoje, em Fátima, os cristãos a darem mostras concretas de solidariedade face aos múltiplos exemplos de crise que afectam a sociedade portuguesa.

D. Pio Alves quer deixar mensagem de esperança em Fátima
Milhares de peregrinos de todo o mundo são esperados no Santuário para a peregrinação aniversária de Setembro.

“Um cidadão cristão não pode fazer de conta que não vê”
D. Pio Alves pediu aos peregrinos, presentes esta quinta-feira no Santuário de Fátima, que assumam o compromisso de serem “construtores de uma sociedade solidaria”. 

D. Vitalino pede ao Governo que não esqueça os pobres
Bispo de Beja considera que há "reformas e salários milionários que ofendem a dignidade dos mais pobres".

Bispo auxiliar do Porto apela à solidariedade cristã
“Quem está a morrer de fome não pode esperar um ano, um mês, uma semana que seja, até que se resolvam problemas estruturais", afirma D. Pio Alves)

Bispo auxiliar do Porto exorta os cristãos à prática da solidariedade em tempos de crise
O bispo auxiliar do Porto, Pio Alves, exortou hoje, em Fátima, os cristãos a darem mostras concretas de solidariedade face aos múltiplos exemplos de crise que afectam a sociedade portuguesa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Leiria-Fátima online



A diocese de Leiria-Fátima criou um canal de televisão “online”, na plataforma de vídeos Youtube.

Chama-se “LeiriaFátimaTV” e o canal apresenta algumas reportagens e resumos de iniciativas recentes na diocese.

A nota do Gabinete de Informação e Comunicação da diocese Leiria-Fátima refere que este canal “seja espaço de partilha e comunhão, permitindo uma maior interacção entre os fiéis e as estruturas e serviços desta Igreja particular. Para nos ajudar neste trabalho, estamos receptivos aos comentários, críticas e sugestões que queriam partilhar connosco”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (5)

Uma Igreja mais inclusiva e decididamente mais laica...

Meu caro Bispo, D. António Marcelino.

Ao ler o seu artigo desta semana no Correio do Vouga (“Leigos, uma novidade conciliar?”) não podia ter encontrado, nas suas palavras, uma concordância quase que plena sobre a minha perspectiva sobre o papel dos leigos na missão evangelizadora da Igreja (e na sua estrutura) e a importância que o documento conciliar destaca ao apostolado laical.
Permita-me o destaque ainda para a sua referência (em “Olhos na Rua… A porta estreita que devia ser larga”):
“Dói ver como se põem de lado leigos que apresentam novas iniciativas apostólicas, dão sugestões em grupos e em conselhos de que são membros, mostram a sua discordância ante decisões que saem apenas de uma cabeça…
Outros são marginalizados também porque optam por trabalhar em organizações profissionais ou até partidos políticos em vez de movimentos de Igreja…
Dói, por se teimar, fora do tempo e ao arrepio do mesmo, em conservar uma Igreja fechada e sem futuro. Uma Igreja clerical. Quanto falta ainda para que o Vaticano II esteja cumprido de modo a ser, com uma Igreja renovada, sinal de esperança e de tempos novos?!”
Acrescentado ainda, destacado da parte final do seu artigo (agora é que há quem vá pular das cadeiras ou sofás…):
“Vê-se ainda a dificuldade sentida por muitos leigos no campo que lhes é próprio, devido ao domínio do poder clerical, que aprecia os que trabalham no templo e retira para aí alguns preparados e necessários nas tarefas profanas. Por outro lado, vemos a tentação de fomentar nos leigos uma espiritualidade de cariz clerical ou monacal, fazendo com que alguns, mais formados e informados, reajam a tal orientação.”
Em relação a esta realidade, de facto, falta muito à aplicabilidade, à vivência “mundana” do Concílio Vaticano II. Falta muito a uma capacidade da Igreja se abrir ao mundo e à sua razão existencial: os homens.
Neste aspecto, a segunda leitura da Eucaristia de domingo passado (9 de setembro, 23º Domingo do Tempo Comum - Epístola de São Tiago, 2,1-5) é de uma assertividade extrema neste campo. O Apóstolo Tiago questiona precisamente a forma como olhamos o outro, quando damos mais valor ao “ter” do que ao “ser”, quando nos guiamos e valorizamos as aparências (“A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés».”)
Não é esta a realidade que se vive na Igreja quando se trata de escolher, de acolher, de responsabilizar?
Meu caro Bispo, quando refere que “os campos de acção apostólica do leigo estão ligados ao que é específico da sua vida: família e educação, meio social, trabalho, convivência e participação cívica”, será legítimo limitarmos o contributo, a vocação, o conhecimento, a capacidade de trabalho, a própria fé, à responsabilidade laical apenas aos “casados, solteiros ou viúvos”? Porque não têm assento no espaço comunitário os divorciados, os separados, os ex-condenados, os ex-presos, aqueles a quem a vida, em determinado momento, por mil e uma razões, traçou caminhos difíceis de contornar, apesar de afastados da mensagem do Pai?! Porque é que a Igreja tem de ser tão exclusiva e tão afastada da realidade plenamente inclusiva da mensagem de Cristo.
Tal como termina a passagem da Epístola de São Tiago: “Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?”
Uma Igreja de Todos, para Todos e com Todos é, definitivamente, uma Igreja mais consistente, mais rica e mais Evangelizadora.
Aliás, como, pelo menos dominicalmente, repetimos: Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (4)

O sentido das coisas... 
Meu caro Bispo D. António Marcelino

Estava para me referir à questão da educação e das escolas católicas, mas o Evangelho da celebração eucarística deste Domingo (22º Domingo do tempo comum) suscitou-me outro tipo de reflexão que gostaria de partilhar.
A passagem do Evangelho segundo S. Marcos (Mc 7,1-8.14-15.21-23) revela-nos duas mensagens fortes.
A primeira mensagem refere-se à importância do nosso interior, daquilo que valemos por dentro, a capacidade que temos para deixar-nos invadir pelo Espírito Santo e pela mensagem de Cristo. Muito mais importante do que a que damos demasiadas vezes, excessivas até, ao exterior, às aparências, às falsas imagens e realidades.
A segunda, a que me levou a escrever estas linhas, tem a ver com a questão das tradições, da lei (Torah), das regras, dos mandamentos (o Decálogo de Moisés), etc. Mais próximo dos nossos tempos, esta segunda questão poderá ter a ver com os ritos, com os procedimentos, com o catecismo, com os costumes, com o próprio Código de Direito Canónico, com as Encíclicas, com os Concílios.
E neste campo, recordo os seus textos, publicados no Correio do Vouga, em que dissecou vários aspectos relacionados com o Concílio Vaticano II, neste seu quinquagésimo aniversário.
Tenho alguma dificuldade em decidir entre a necessidade de um novo Concílio ou a aplicabilidade, a vivência prática, do Concílio Vaticano II (mesmo que com necessárias readaptações). Mas há uma certeza que tenho. A Igreja, seja a clerical, a laica, a estrutural ou a missionária, tem uma necessidade urgente de se renovar e de se reestruturar.
Tal como a segunda imagem que tenho do Evangelho de S. Marcos, parece-me ser fundamental que a Igreja se renove, repense as suas tradições e ritos. Se torne mais viva e mais perto da sua missão evangelizadora. No fundo, que se torne mais próxima dos crentes e das pessoas.
Basta olhar para alguns exemplos para se perceber esta realidade, meu caro Bispo. Que sentido se dá ao Baptismo, à primeira-Comunhão, ao sacramento do Crisma? Por uma questão social, para se poder ser padrinho ou madrinha no futuro, para não se ter “chatices” com o Pároco na altura do casamento?
Mesmo na divisão mais simples da Eucaristia, nas duas partes principais (Liturgia da Palavra e Rito Sacramental) questiono-me quantos dos que se deslocam à “Casa do Senhor” perceberão o seu significado e que sentido tem para as nossas vidas? Quantos não repetem, semanalmente, rito após rito, decorados ao sabor de uma catequese instrutiva e não educativa ou formativa, sem a noção do significado concreto de cada acto.
E não é só em relação aos crentes. O próprio clero transmite esta imagem de vazio da ritualidade e da espiritualidade que lhe está inerente. Por exemplo, a Liturgia da Palavra (a dominical, principalmente) tem duas leituras (antigo testamento e novo testamento excluindo os evangelhos), um salmo responsorial e uma passagem do Evangelho. São raras as homilias em que se realça o Salmo e, embora não tão raramente, são muito poucas as homilias que transmitem alguma mensagem da leituras. Normalmente, apenas é realçado o Evangelho. Daí que no final de cada Eucaristia seja lógico que a memória das pessoas se fixe no Evangelho e esqueça todas as outras leituras.
Por último, parece-me que é chegada a altura da Igreja rever muito da sua ritualidade, repensar a espiritualidade inerente a muitos dos actos e ritos.
Tal como o Evangelho deste 22º Domingo do Tempo Comum nos transmite o mais importante é o que se sente, o que se vive, a interioridade. Mais importante que o que se repete, o que se faz, o vazio dos actos.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

sábado, 1 de setembro de 2012

22º Domingo do Tempo Comum (2 setembro)

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B
Tema do 22º Domingo do Tempo Comum

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum propõe-nos uma reflexão sobre a “Lei”. Deus quer a realização e a vida plena para o homem e, nesse sentido, propõe-lhe a sua “Lei”. A “Lei” de Deus indica ao homem o caminho a seguir. Contudo, esse caminho não se esgota num mero cumprimento de ritos ou de práticas vazias de significado, mas num processo de conversão que leve o homem a comprometer-se cada vez mais com o amor a Deus e aos irmãos.
A primeira leitura garante-nos que as “leis” e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, o autor dessa catequese recomenda insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e se deixe guiar por ela.
A segunda leitura convida os crentes a escutarem e acolherem a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no coração tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com os homens.
No Evangelho, Jesus denuncia a atitude daqueles que fizeram do cumprimento externo e superficial da “lei” um valor absoluto, esquecendo que a “lei” é apenas um caminho para chegar a um compromisso efectivo com o projecto de Deus. Na perspectiva de Jesus, a verdadeira religião não se centra no cumprimento formal das “leis”, mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus e a viver numa real partilha de amor com os irmãos.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)

I LEITURA – Dt 4,1-2.6-8 (Leitura do Livro do Deuteronómio)
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 14 (15)
II LEITURA – Tg 1,17-18.21-22.27 (Leitura da Epístola de São Tiago)
EVANGELHO – Mc 7,1-8.14-15.21-23 (Evangelho segundo São Marcos)

sábado, 25 de agosto de 2012

21º Domingo do Tempo Comum (26 agosto)

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B
Tema do 21º Domingo do Tempo Comum

A liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum fala-nos de opções. Recorda-nos que a nossa existência pode ser gasta a perseguir valores efémeros e estéreis, ou a apostar nesses valores eternos que nos conduzem à vida definitiva, à realização plena. Cada homem e cada mulher têm, dia a dia, de fazer a sua escolha.
Na primeira leitura, Josué convida as tribos de Israel reunidas em Siquém a escolherem entre “servir o Senhor” e servir outros deuses. O Povo escolhe claramente “servir o Senhor”, pois viu, na história recente da libertação do Egipto e da caminhada pelo deserto, como só Jahwéh pode proporcionar ao seu Povo a vida, a liberdade, o bem estar e a paz.
Na segunda leitura, Paulo diz aos cristãos de Éfeso que a opção por Cristo tem consequências também ao nível da relação familiar. Para o seguidor de Jesus, o espaço da relação familiar tem de ser o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino. Com a sua partilha de amor, com a sua união, com a sua comunhão de vida, o casal cristão é chamado a ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja.
O Evangelho coloca diante dos nossos olhos dois grupos de discípulos, com opções diversas diante da proposta de Jesus. Um dos grupos, prisioneiro da lógica do mundo, tem como prioridade os bens materiais, o poder, a ambição e a glória; por isso, recusa a proposta de Jesus. Outro grupo, aberto à acção de Deus e do Espírito, está disponível para seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida; os membros deste grupo sabem que só Jesus tem palavras de vida eterna. É este último grupo que é proposto como modelo aos crentes de todos os tempos.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)

LEITURA I – Jos 24,1-2a.15-17.18b (Leitura do Livro de Josué)
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34)
LEITURA II – Ef 5,21-32 (Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios)
EVANGELHO – Jo 6,60-69 (Evangelho segundo São João)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (3)

Papel social (e político) da Igreja, hoje...

Meu caro Bispo, D. António Marcelino.

Temos vindo a referir a importância da Igreja repensar o seu papel evangelizador, a necessidade de se reestruturar como comunidade de Cristo e em Cristo (seja do ponto de vista clerical, seja no envolvimento dos leigos).
Ao contrário do que D. José Policarpo afirmou, em junho passado, em Fátima, na divulgação das jornadas pastorais dos bispos católicos sobre a reflexão dos 50 anos do Concílio Vaticano II – “A Igreja não tem que andar ao ritmo da mudança do Mundo”, entendo que a Igreja tem por missão (dever e obrigação) andar à frente das mudanças do mundo, sob pena de não dar resposta a muitas das solicitações, anseios e preocupações dos seus crentes. De correr o risco de deixar de ser referência para muitos dos católicos e afastá-los da vivência na Fé.
Isto não significa que a mensagem, como refere D. José Policarpo, perene de Cristo tenha deixado de ter valor ou esteja desvirtuada. Entendo precisamente o contrário. Aliás, entendo que não é preciso um novo concílio, bastando para isso que o Concílio Vaticano II (em todos os seus documentos) seja definitivamente aplicado e vivido na plenitude, com as devidas adaptações que 50 anos de muitas mudanças provocaram na sociedade e na Igreja.
Acho que a mensagem de Cristo e da Igreja, actualizada e adaptada aos desafios que o Mundo lança, cada vez mais, de forma insistente e premente, só fortalece o sentido missionário e evangelizador dos valores cristãos. Nomeadamente no que respeita ao papel (também) social que a Igreja desenvolve no seio das comunidades em todo o mundo. E atrever-me-ia a acrescentar ao papel social e político (não partidário, entenda-se) da Igreja na sociedade de hoje.
E reforço a questão social e política da Igreja porque ela é, cada vez mais, importante e tem sido uma referência constante. Mesmo que, face à realidade económica, social e cultural que hoje vivemos, ela preconize alguns dos princípios de esquerda, porque a Igreja, de facto, na sua vertente social é uma Igreja de “esquerda” (e não me refiro apenas à “alcunha de bispo vermelho” do Bispo Emérito de Setúbal, D. Manuel Martins), isto por mais que custe aos seus crentes defensores de uma economia liberal ou, até, neo-liberal.
Se no aspecto dogmático a Igreja está distante de qualquer conceito político (e deve estar), no que respeita à sua missão evangelizadora ela, como Cristo, “vive” para os que pecam, que não encontram o caminho de Cristo, para os “tresmalhados”… mas igualmente para os oprimidos, para os que sofrem, para os que são espezinhados, para os mais desfavorecidos, para os pobres, para os explorado.
Aliás, nestes últimos dois meses têm sido evidentes estes sinais de intervenção social e política (mesmo que a título individual, embora ninguém se possa desassociar da sua condição clerical) por parte de vários prelados portugueses.
As “hostilidades”, as denúncias, as críticas, o exame de consciência, foram iniciadas com as polémicas declarações de D. Januário Torgal Ferreira, apesar de entender que foi mais o excesso que a razoabilidade ao não apontar e explicitar os factos (já para não dizer: “ao não denunciar a quem de direito”): “Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, porque têm o seu gangue, porque têm o seu clube,porque pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores, que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer”.
Já D. Manuel Martins, em relação ao novo Código do Trabalho (que entro em vigor no passado dia 1 de agosto), afirma que é urgente uma mudança de atitude e, até mesmo, uma “explosão de rua”. O Bispo Emérito de Setúbal, sempre muito próximo desta missão social da Igreja, critica a reforma laboral como espelho de uma sociedade cada vez mais materialista e de uma sociedade cada vez mais desumana, quer em Portugal, quer na Europa: “Nós sabemos que o grande deus desta Europa é realmente o deus dinheiro encarnando isso na Alemanha. Mas é a Alemanha, o sistema bancário, os grandes ricos que movem o mundo. Esse Código do Trabalho é uma emanação perfeita desse deus dinheiro, desse deus capitalista que manda no mundo e que engorda à custa do emagrecimento dos outros”.
Também D. Jorge Ortiga, no festival da Juventude, lançou fortes críticas ao poder político actual, condenando a incapacidade deste em saber responder à crise que o país atravessa: “Para eles [os políticos], muitas vezes e quase sempre, vale apenas o bem-estar pessoal ou, quanto muito, do seu grupo ou partido”. Aliás, o Arcebispo de Braga e Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, pouco depois defenderia ainda um outro caminho para a saída da crise por recear que os cidadãos, as famílias e as empresas não consigam aguentar mais medidas de austeridade, questionando mesmo se uma política centrada em medidas de austeridade será o único caminho para o país sair da crise: “O povo português está demasiado sobrecarregado. Diariamente, assistimos ao aumento do custo da água, da electricidade, dos transportes, da restauração e isto torna o rosto de Portugal um pouco sombrio”. Para acrescentar ainda:Será este o único caminho? Interrogo-me muitíssimas vezes. Penso que talvez não seja.Agora, se o caminho é o de renegociar ou agir de outra maneira, é inventar formas de uma nova economia que proporcionem um outro desenvolvimento, uma capacidade de resposta aos reais problemas, penso que isso é absolutamente necessário”.
É esta a Igreja missionária, não só evangelizadora, mas crítica e atenta à sociedade e que dá respostas concretas às necessidades dos seus crentes. É esta a pastoral social que emana da mensagem de Cristo, que desceu dos céus para cuidar dos que sofrem, dos que pecam, dos doentes, dos pobres e dos desprotegidos.
É esta também a Igreja que, contrariando a expressão de D. José Policarpo, se preocupa e se adapta às novas realidades sem deixar de condenar, como refere D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, uma sociedade portuguesa cada vez mais desigual: “A construção da justiça tem que partir sempre daqueles que estão numa situação de privilégio, do facto de reconhecerem que a justiça passa por partilhar com aqueles que não têm ou têm menos”.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

20º Domingo do Tempo Comum (19 agosto)

Tema do 20º Domingo do Tempo Comum (ano B)

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum repete o tema dos últimos domingos: Deus quer oferecer aos homens, em todos os momentos da sua caminhada pela terra, o “pão” da vida plena e definitiva. Naturalmente, os homens têm de fazer a sua escolha e de acolher esse dom.
A primeira leitura oferece-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela “senhora sabedoria” para os “simples” e para os que querem vencer a insensatez. Convida-nos à abertura aos dons de Deus e à disponibilidade para acolher a vida de Deus (o “pão de Deus que desce do céu”).
A segunda leitura lembra aos cristãos a sua opção por Cristo (aquele Cristo que o Evangelho de hoje chama “o pão de Deus que desceu do céu para a vida do mundo”). Convida-os a não adormecerem, a repensarem continuamente as suas opções e os seus compromissos, a não se deixarem escorregar pelo caminho da facilidade e do comodismo, a viverem com empenho e entusiasmo o seguimento de Cristo, a empenharem-se no testemunho dos valores em que acreditam.
No Evangelho, Jesus reafirma que o objectivo final da sua missão é dar aos homens o “pão da vida”. Para receber essa vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projecto, a interiorizar a sua proposta. A Eucaristia cristã (o “comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus) é um momento privilegiado de encontro com essa vida que Jesus veio oferecer.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)

I LEITURA – Prov 9,1-6 (leitura do Livro dos Provérbios)
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34)
II LEITURA II – Ef 5,15-20 (leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios)
EVANGELHO – Jo 6,51-58 (evangelho segundo São João)