sábado, 23 de fevereiro de 2013

D. António Marcelino - 25 anos

Os meus jubilosos parabéns.

A propósito dos "Monólogos com o meu Bispo" já tinha dito e volto a reforçar:
Por razões meramente pessoais (principalmente pelos meus quatro anos de passagem pela equipa do Secretariado Pastoral Juvenil) D. António Marcelino sempre foi o “meu” bispo. Isto não significa que não reconheça em D. António Francisco todo o valor como Bispo de Aveiro ou que desvalorize a sua missão (antes pelo contrário), mas a minha ligação com o Bispo Emérito sempre foi muito forte, com inegável estima, respeito e consideração.
É, por isso, com muito gáudio que me congratulo com esta comemoração:
 

2º Domingo da Quaresma (24 fevereiro)

2º Domingo da Quaresma - Ano C - 24 fevereiro

Tema do 2º Domingo da Quaresma

As leituras deste domingo convidam-nos a reflectir sobre a nossa “transfiguração”, a nossa conversão à vida nova de Deus. Nesse sentido, são-nos apresentadas algumas pistas.
A primeira leitura apresenta-nos Abraão, o modelo do crente. Com Abraão, somos convidados a “acreditar”, isto é, a uma atitude de confiança total, de aceitação radical, de entrega plena aos desígnios desse Deus que não falha e é sempre fiel às promessas.
A segunda leitura convida-nos a renunciar a essa atitude de orgulho, de auto-suficiência e de triunfalismo, resultantes do cumprimento de ritos externos; a nossa transfiguração resulta de uma verdadeira conversão do coração, construída dia a dia sob o signo da cruz, isto é, do amor e da entrega da vida.
O Evangelho apresenta-nos Jesus, o Filho amado do Pai, cujo êxodo (a morte na cruz) concretiza a nossa libertação. O projecto libertador de Deus em Jesus não se realiza através de esquemas de poder e de triunfo, mas através da entrega da vida e do amor que se dá até à morte. É esse o caminho que nos conduz, a nós também, à transfiguração em Homens Novos.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)

I Leitura – 15,5-12.17-18 (Leitura do Livro do Génesis)
Salmo Responsorial – Salmo 26 (27)
II Leitura – Filip 3,17-4,1 (Leitura da Epístola de São Paulo aos Filipenses)
Evangelho – Lc 9,28b-36 (Evangelho segundo São Lucas)

Eleição Pontifícia

Simples, mas elucidativo.
Infografia do Jornal de Notícias sobre como decorre o processo de eleição do Santo Padre.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Documentário RR sobre Bento XVI

Pela pluralidade de opiniões e convicções...
Pela pluralidade de concepção da realidade...

Documentário da Renascença sobre Bento XVI.
"Do Amor à Verdade"


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Do Amor à Verdade
Documentário sobre Bento XVI

Rádio RenasceçaMais informação sobre este video

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (8)

Novo Papa… oportunidade de Renovar a Igreja.
Meu caro Bispo, D. António Marcelino
Já desde o Natal que não vinha ao ‘diálogo’ (monólogo) consigo. Permita-me retomar estes monólogos com o assunto da ordem do dia: a renúncia de Bento XVI e o impacto na Igreja. Primeiro, importa uma declaração de interesses. A nomeação do Cardeal Joseph Ratzinger como Papa Bento XVI, há quase oito anos (19 de abril de 2005), não tendo sido propriamente uma surpresa não foi algo que se tenha revelado surpreendente ou deslumbrante. Quer queiramos, quer não, mesmo que essa não seja a missão de cada pontificado, seria muito difícil fazer esquecer o carisma de João Paulo II. E isso é perfeitamente normal e compreensível para a condição humana: a constituição de referências personalizadas e pessoais. Além disso, a idade (à data 78 anos, a dois do limite) fazia perspectivar um pontificado relativamente curto (longe dos 27 anos de João Paulo II). Posto isto, Bento XVI não foi, decididamente, o “meu” Papa. Aliás, Bento XVI é mais surpreendente na sua resignação do que na sua eleição.
No entanto, importa reconhecer a sua inteligência, o valor da razão e da teologia, sempre presentes no seu pontificado, e a valorização da Fé. O que se transformou num paradoxo, pelo facto dessa valorização da Fé surgir, na maioria dos casos, distanciada do Mundo e da realidade que os crentes vivem e sentem no seu dia-a-dia, dos desafios que a vida lhes coloca. Mesmo que Bento XVI esteja perfeitamente ciente da crise de Fé que assola a sociedade de hoje e os crentes, conforme o descreve na abertura do “Ano da Fé”, em outubro de 2012, através da Carta Apostólica “Porta Fidei”. Algo que em 2007, dois anos após a sua nomeação, já tinha expressado numa carta dirigida aos fiéis chineses encorajando-os na Fé. Mas importa reconhecer que o pontificado de Bento XVI fica muito redutor já que a sua afirmação se limita a aspectos teológicos (mas longe de dogmáticos) como a intensa Encíclica “Spe Salvi” (muito mais interessante do que a “Caritas in Veritate”) ou as exortações “Verbum Domini” e “Sacramentum Caritatis”. É que apesar do reconhecido valor intelectual e teológico, Bento XVI não teve a capacidade de se abrir ao Mundo, de (re)adaptar a Igreja ao novos desafios e aos dias de hoje, de entrar no coração dos fiéis (como fez João Paulo II). A “razão” venceu o “coração”.
Deste modo, quando recebi a notícia da resignação de Bento XVI a minha surpresa (que o foi, de facto) não foi tanto pelo resultado e pelo impacto, mas sim pela posição assumida, pelo facto em si, por duas razões distintas. Primeiro, reconheço a frontalidade, a humildade e a dignidade da posição assumida por Bento XVI. Não lhe chamaria ‘coragem’ porque se me afigura algo exagerado dada a não existência factual de qualquer perigosidade, apenas a conflitualidade com o “quebrar” da tradição. Mas devo-lhe dizer que a decisão de Bento XVI levanta um precedente (pelo tempo, pelas circunstâncias, pelas vivências, pela história da Igreja, em nada comparável aos outros sete casos) que deveria fazer repensar o Direito Canónico: a limitação do pontificado em função da idade, ou seja, comparativamente, tal como acontece com os Bispos que veem o seu episcopado limitado à idade. Isto pela preservação da dignidade da função e da própria condição humana, até porque chegará sempre o dia (que anteceda o “juízo final”) em que já não haverá qualquer condição para o exercício do ministério papal (aliás, algo que deve estar bem presente na experiência de Bento XVI em relação ao final do pontificado de João Paulo II). Segundo, porque as razões invocadas por Bento XVI, não duvidando minimamente da sua veracidade (razões de saúde, cansaço, e de limitações físicas), ‘escondem’ uma outra realidade. Se o pontificado de Joseph Ratzinger tivesse conseguido superar os enormes e polémicos desafios com que se confrontou, a saúde e a condição física seriam, perfeitamente, superáveis. A verdade é que muita coisa ‘falhou’ ou foi inconsequente. Dentro da estrutura complexa e nem sempre transparente do Vaticano (quer enquanto Igreja, quer enquanto Estado, e que ao caso não podemos dissociar) é notório o impacto que tiveram no pontificado o caso dos documentos secretos e particulares, o ‘buraco’ financeiro nas finanças do Vaticano (não só de pão vive o homem, mas também) e a questão premente da pedofilia, não bastando ter a coragem de criticar e de pedir desculpa… há que saber denunciar (antes do conhecimento público), agir internamente e deixar a justiça (porque de justiça se trata) actuar. Do ponto de vista da Igreja, o pontificado de Bento XVI ficou marcado pelo regresso a um conservadorismo eclesial, que nem o aproximar dos 50 anos do Concílio Vaticano II atenuou, com o consequente afastamento dos crentes à vivência da Fé, ao sentido de comunidade, ao distanciamento à Liturgia e ao mistério da Fé (morte e ressurreição de Cristo). O que resultou num claro afastamento dos fiéis à própria Igreja. Veja-se a crise vocacional ainda há pouco tempo, no início deste mês, referenciada por D. António Francisco em Albergaria: a Diocese de Aveiro perdeu um terço dos padres em dez anos. Ou ainda a diminuição de fiéis na celebração da Eucaristia nas paróquias, tendo como exemplo Fátima que registou em 2012 o menor número de participações de peregrinos nas celebrações eucarísticas, nos últimos cinco anos (algo que a crise não justifica de todo, até porque os dados não demonstram uma diminuição de visitantes a Fátima). Além disso, o Pontificado de Bento XVI ficaria ainda marcado pelo falhanço do diálogo ecuménico (que até começou com muito vigor, mas que o triste episódio sobre o Islão, em 2008, na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, viria a arrefecer). Excepção feita aos Ortodoxos russos que pela vertente histórica mantiveram um regular diálogo, todo o resto foi inconsequente: Islamismo (ainda hoje se sofre em África com ataques bárbaros aos cristãos); Anglicanismo; Evangélicos; e ainda aos Lefebvrianos (Sociedade de São Pio X). Nem mesmo ao Judaísmo. Por outro lado, o regresso a uma Igreja mais conservadora afastou-a da missão edificada em Pedro, fechando a abertura preconizada por João Paulo II: as várias questões sobre a vida e sobre a sexualidade, ou sobre a bio-médica, a catequese e a envangelização, o laicado, o papel da mulher na Igreja, a economia, a política, a cultura. Ressalve-se o esforço encetado em relação às novas tecnologias da informação e da comunicação, mas infelizmente muito perto da data da resignação.
Importa ainda destacar as palavras de Bento XVI na sua despedida, na sua última celebração pública (quarta-feira de cinzas) e que, na minha modesta opinião, reforçam o que foi um dos grandes obstáculos no seu curto pontificado e que, pessoalmente, justificam, em si mesmos, a renúncia do Papa: os individualismos e rivalidades, a hipocrisia religiosa, a divisão do corpo eclesiástico, os golpes (e foram muitos) contra a unidade da Igreja. É, aliás, interessante a frase usada por Bento XVI em plena homília, criticando aqueles que se dizem prontos "a rasgar as próprias roupas face aos escândalos e às injustiças, naturalmente perpetrados por outros, mas que não se mostram prontos a agir de acordo com o seu próprio coração, a sua consciência e as suas intenções".
Posto isto, a questão que agora importa é olhar o futuro da Igreja. Que novo Pontificado? Que Igreja?
Olhando a reflexão feita, espero que o Espírito Santo ilumine o Conclave e que, de entre os 117 cardeais eleitores surja alguém com capacidade física e mental para a necessária renovação da Igreja face aos desafios de hoje (grandes alterações sociais, comunicacionais, políticas, económicas), com uma grande abertura ao mundo e aos seus sinais, que aproxime a Igreja dos fiéis e dos não-crentes através de uma catequese e de uma evangelização mais progressista (a recordar a visão do mundo de João XXIII, continuado com Paulo XVI e o Concílio Vaticano II). Um Papa, claramente mais novo, e que não esteja imbuído da queda da Fé e do sentido de Igreja do velho continente europeu. Ou seja, um Cardeal Africano (pelo sentir da dificuldade da expressão da Fé em Cristo num continente onde o cristianismo é marginalizado), um Cardeal Sul-Americano (pela pujança da Fé em Cristo que se vive no América do Centro e Sul e pela vivência/papel social da Igreja), ou um Cardeal Asiático (pelo que representa, no mundo de hoje, o crescente papel dos países emergentes).
Por último, mas não menos importante, um novo Pontificado que tenha a capacidade de promover uma nova Igreja Conciliar. Aproveito, neste ponto, para relembrar o seu texto publicado no Correio do Vouga, “O Concílio é de hoje, o passado não o esgotou”. O Concílio Vaticano II marcou uma viragem importantíssima na Igreja: na sua missão de Fé e de Evangelização, na sua estrutura, no seu papel social e, porque não, político. E se concordo consigo quando diz que o passado, estes 50 anos de existência, não o esgotaram, a verdade é que o presente exige muitas concretizações que ficaram por realizar, muitas alterações em função da velocidade com que o mundo se vai estruturando e agitando, e implica uma evidente necessidade de repensar e renovar. É certo que Bento XVI afirmou, tal como o meu caro Bispo o escreveu, que "as grandes orientações do Concílio Vaticano II não foram totalmente realizadas" e que, por isso, se pede uma verdadeira renovação da Igreja. Mas esta renovação não pode ficar apenas consignada aos “seminários e os conventos vazios” ou à “banalização da liturgia na época que se seguiu ao concílio”, conforme denunciou Bento XVI. A Renovação da Igreja é muito mais abrangente e muito mais do que clerical. Daí que não seria de todo descabido que essa renovação passasse por um repensar a Igreja, resultando num novo processo Conciliar.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Oração Jubilar

Nos dias 11 de cada mês e nas Eucaristias dos primeiros domingo de cada mês deve ser rezada a Oração da Missão Jubilar.
Coincidindo com o início do Advento, este domingo, dia 2 de dezembro, é igualmente o primeiro domingo do mês.

Desta forma, lembramos a Oração da Missão Jubilar.
Senhor, nosso Deus,
nós Te confiamos a Igreja de Aveiro
e a nossa Missão Jubilar.

De Ti, Senhor, recebemos o convite
e partimos para anunciar
o evangelho das bem-aventuranças
e ser Teu rosto vivo junto de cada pessoa.

Que a Missão Jubilar seja
momento de renovação para a Igreja,
aurora de alento para o Mundo
e certeza de Páscoa perene para a Humanidade.

A Maria, nossa Mãe,
pedimos a força da fé e a alegria da confiança
para amar a Deus e servir os nossos irmãos.

Que Santa Joana, nossa Padroeira,
nos proteja e ajude
a "viver esta hora" de Missão Jubilar.
Ámen.

sábado, 6 de outubro de 2012

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (7)

A Palavra de Deus também é resposta social

Meu caro Bispo, D. António Marcelino
Permita-me que “deturpe” o contexto das suas palavras no seu artigo “Descoberta diária da palavra de Deus”, publicado na edição do dia 3 de outubro do Correio do Vouga, para me referir ao cuidado que acho necessário e importante que a Igreja, nomeadamente o seu episcopado, tenha na forma como comunica e aborda a realidade social e económica actual que o país atravessa.
A Palavra, como refere, é, de facto, relevante na essência eucarística, ao ponto do Concílio Vaticano II lhe ter dado outra dimensão e expressividade, alargando o seu alcance e acesso aos crentes e reforçando a importância da formação clerical nesta área. Até porque, desta forma, a mensagem evangelizadora de Cristo teria muito mais impacto na vida da Igreja, das comunidades, da família e, individualmente, em cada um de nós. E quão importante é para a missão da Igreja lembrar que Cristo libertador, por vontade de Deus Pai que “transformou” o verbo em carne, se sentou à mesa com os pecadores, curou os doentes, alimentou os mais pobres. Assim como hoje ainda é, felizmente, o essencial da pastoral social da Igreja: as Misericórdias, a Cáritas, as Conferências Vicentinas, as inúmeras IPSSs, por exemplo, o papel da “nossa” Florinhas do Vouga.
O Papa Bento XVI, no final do passado mês (ainda há uma semana), na sua oração do Angelus alertava para a necessidade da “riqueza ser usada para o bem comum, numa perspectiva solidária”, a propósito da guerra civil no Congo. É indiscutível que as palavras proferidas pro Sua Santidade possam ser, obviamente, alargadas a todas as circunstâncias onde a economia prevalece sobre o ser humano e a sua dignidade.
Concretamente em Portugal, esta é uma altura em que a Igreja neste “tempo e momento concreto, deve anunciar a justiça, a solidariedade (…), sobretudo, numa atenção muito grande e aos mais desfavorecidos, procurando levar a todos a mensagem de Jesus Cristo” (a tal importância da Palavra, como o meu caro Bispo refere no seu artigo desta semana) usando as interessante palavras do Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, nas celebrações do seu 6º aniversário da ordenação episcopal (22 de julho 2012).
Mantendo a dúvida que persiste quanto à realidade e ao significado político da Igreja Social (Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (3)) não deixa de ser relevante e de suprema importância o papel social desenvolvido pela Igreja neste contexto de crise que o país atravessa. Já assim o era noutras circunstâncias, muito mais relevante se torna agora. Basta estarmos atentos aos apelos e mensagens, por exemplo, do Presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca (“Cáritas teme ruptura na ajuda aos mais carenciados”) ou do Director da Pastoral Sócio-caritativa do Patriarcado de Lisboa, Cónego Francisco Crespo ("Se as IPSS da Igreja fechassem portas por um dia o país parava").
Por isso, meu caro D. António Marcelino, é com alguma estranheza que o cuidado com a Palavra, enquanto suporte da missão evangelizador da Igreja, não seja o mesmo cuidado que a Igreja, e os seus responsáveis, devam ter nas questões sociais (e “mundanas”). Daí que não compreenda que o Cardeal Patriarca, D. José Policarpo tenha afirmado, em entrevista à Renascença, que “os portugueses são em parte responsáveis pelo que se está a passar, porque têm um conceito de vida em comunidade em que o Estado tem obrigação de tudo. Pedem-lhe tudo”.
Primeiro porque é desresponsabilizar o Estado do seu papel social, do cuidado que deve ter com a Segurança Social, com o emprego, com a saúde, a educação, a justiça, com a água e os transportes. Dizer que isto não é a obrigação do Estado é reduzir a responsabilidade do mesmo apenas ao controlo, à fiscalização e à regulação do país (o que no mínimo é perigoso). Por outro lado, não são os portugueses que, de forma despesista, vão esbanjando os dinheiros públicos, quando, na maioria dos casos, nem sabem para onde vai os impostos que pagam.
Mas o mais inquietante é que as palavras de D. José Policarpo têm, perigosamente, um outro verso da medalha: o virar o feitiço contra o feiticeiro.
Se há instituição, entidade, que mais benefícios tem tido, mais privilégios tem tido, do Estado é a Igreja Católica. Repare que na recente avaliação das Fundações não há uma única de cariz religioso. Enquanto são exigidos, mês após mês, sacrifícios incompreensíveis e inaceitáveis aos cidadãos (ainda esta semana, o ministro das Finanças anunciou mais um agravamento da carga fiscal) a Igreja continua a beneficiar de regalias fiscais, por exemplo, em sede de IRC e IVA.
É evidente que o papel que a Igreja e as suas instituições têm tido na substituição do Estado no papel social no país tem sido notório e uma “tábua” de salvação para muitos portugueses (como se sabe dos mais variados ‘estratos sociais’ e qualificações). Mas também é certo que a Igreja e muitas Instituições têm sido privilegiadas na sua relação com o Estado. Daí que muitos se interroguem, tal como o Papa Bento XVI, que a riqueza (que é muita) da Igreja, nestes tempos difíceis deveria ser colocada ao serviço das comunidades e dos povos.
Assim, como é difícil perceber, nos dias de hoje, que seja construída uma Igreja, com fundos particulares é certo, em Viana do Castelo que custe 3 milhões de euros. Será que a campanha que foi usada para a angariação dos fundos para a construção da igreja teria o mesmo sucesso se fosse usada no âmbito social e para ajuda aos mais carenciados? Tenho dúvidas, para não lhe dizer já que não.
E não me parece que seja esta a Igreja de Cristo, a que vivemos domingo após domingo, a que está na nossa mesinha de cabeceira, a que desfolhamos na Palavra de Deus, tão importante para o alicerce dessa mesma Igreja.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

27º Domingo do Tempo Comum (7 outubro)

27º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 07 de outubro

Tema do 27º Domingo do Tempo Comum
As leituras do 27º Domingo do Tempo Comum apresentam, como tema principal, o projecto ideal de Deus para o homem e para a mulher: formar uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que os ajude mutuamente a realizarem-se e a serem felizes. Esse amor, feito doação e entrega, será para o mundo um reflexo do amor de Deus.
A primeira leitura diz-nos que Deus criou o homem e a mulher para se completarem, para se ajudarem, para se amarem. Unidos pelo amor, o homem e a mulher formarão “uma só carne”. Ser “uma só carne” implica viverem em comunhão total um com o outro, dando-se um ao outro, partilhando a vida um com o outro, unidos por um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo.
A segunda leitura lembra-nos a “qualidade” do amor de Deus pelos homens… Deus amou de tal forma os homens que enviou ao mundo o seu Filho único “em proveito de todos”. Jesus, o Filho, solidarizou-Se com os homens, partilhou a debilidade dos homens e, cumprindo o projecto do Pai, aceitou morrer na cruz para dizer aos homens que a vida verdadeira está no amor que se dá até às últimas consequências. Ligando o texto da Carta aos Hebreus com o tema principal da liturgia deste domingo, podemos dizer que o casal cristão deve testemunhar, com a sua doação sem limites e com a sua entrega total, o amor de Deus pela humanidade.
No Evangelho, Jesus, confrontado com a Lei judaica do divórcio, reafirma o projecto ideal de Deus para o homem e para a mulher: eles foram chamados a formar uma comunidade estável e indissolúvel de amor, de partilha e de doação. A separação não está prevista no projecto ideal de Deus, pois Deus não considera um amor que não seja total e duradouro. Só o amor eterno, expresso num compromisso indissolúvel, respeita o projecto primordial de Deus para o homem e para a mulher.
(fonte: conferência episcopal portuguesa)
I Leitura – Gn 2,18-24 (Leitura do Livro do Génesis)
Salmo Responsorial – Salmo 127 (128)

II Leitura – Heb 2,9-11 (Leitura da Epístola aos Hebreus)
Evangelho –
Mc 10,2-16 (Evangelho segundo São Marcos)

Vaticano II. 50 anos, 50 olhares

D. António Marcelino fará a apresentação do livro "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", no dia 10 de outubro, no auditório da Biblioteca Municipal de Aveiro, pelas 21:15.


sábado, 29 de setembro de 2012

26º Domingo do Tempo Comum (30 setembro)

26º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 30 de Setembro
Tema do 26º Domingo do Tempo Comum

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum apresenta várias sugestões para que os crentes possam purificar a sua opção e integrar, de forma plena e total, a comunidade do Reino. Uma das sugestões mais importantes (que a primeira leitura apresenta e que o Evangelho recupera) é a de que os crentes não pretendam ter o exclusivo do bem e da verdade, mas sejam capazes de reconhecer e aceitar a presença e a acção do Espírito de Deus através de tantas pessoas boas que não pertencem à instituição Igreja, mas que são sinais vivos do amor de Deus no meio do mundo.

A primeira leitura, recorrendo a um episódio da marcha do Povo de Deus pelo deserto, ensina que o Espírito de Deus sopra onde quer e sobre quem quer, sem estar limitado por regras, por interesses pessoais ou por privilégios de grupo. O verdadeiro crente é aquele que, como Moisés, reconhece a presença de Deus nos gestos proféticos que vê acontecer à sua volta.
A segunda leitura convida os crentes a não colocarem a sua confiança e a sua esperança nos bens materiais, pois eles são valores perecíveis e que não asseguram a vida plena para o homem. Mais: as injustiças cometidas por quem faz da acumulação dos bens materiais a finalidade da sua existência afastá-lo-ão da comunidade dos eleitos de Deus.
No Evangelho temos uma instrução, através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a situarem-se na órbita do Reino. Nesse sentido, convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que actuam em favor da libertação dos irmãos; convida-os também a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os ainda a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino. 
(fonte: conferência episcopal portuguesa)
I Leitura – Nm 11,25-29 (Leitura do Livro dos Números)
Salmo Responsorial – Salmo 18 (19)
II Leitura – Tg 5,1-6 (Leitura da Epístola de São Tiago)
Evangelho – Mc 9,38-43.45-47-48 (Evangelho segundo São Marcos)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Divorciados e Recasados na Igreja. Tema de debate

No próximo sábado, dia 29 de setembro, pelas 21.30 horas (no salão Nobre dos Paços do Concelho) a temática dos Divorciados e dos Recasados e a sua relação com a Igreja é tema de debate.
O tema, segundo o conjunto de leigos organizadores desta sessão que é pública e aberta à comunidade aveirense (independentemente dos credos e não credos), surgiu fruto de uma reflexão de alguns casais ligados às Equipas de Nossa Senhora (ENS) de Aveiro.
Essa reflexão teve por base um texto de "estudo" que terminava com um conjunto de questões entendidas como pertinentes e desafiadoras:
«Procuramos estar próximo, ajudar e escutar os casais em crise, separados, divorciados ou divorciados recasados? Participamos em acções da Igreja local no sentido de escutar, acolher e acompanhar os casais?».
Este é um dos temas polémicos mas bastante interessante para debate no seio da Igreja e das comunidades cristãs, nomeadamente quando se celebram os 50 anos do Concílio Vaticano II.
A não perder...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Monólogos com o meu Bispo - na fé e na vida (6)


Preparar comunidades missionárias.

Meu caro Bispo, D. António Marcelino

O espírito missionário, para além da sua essência, é um verdadeiro mistério vocacional. Um dos alicerces mais importantes para a missão da Igreja: evangelizar. Mas nada há mais difícil que escutar frases como “vem, deixa tudo o que tens e segue-Me” ou “… espalhai a Boa Nova”. A primeira “atenta” ao nosso comodismo e bem-estar, a segunda interfere com a nossa coragem em enfrentar, publicamente, as barreiras à mensagem de Cristo e da Igreja. Ou seja, são cada vez mais raras estas realidades vocacionais.
Meu caro Bispo, D. António Marcelino, este é, de forma muito linear, o meu entendimento sobre o tema do seu texto “Sempre em Missão, ao perto ou ao longe”, do passado dia 12 de setembro.
O primeiro aspecto que gostaria de realçar é relação do sentido missionário e evangelizador, seja em que realidade for (comunidade, família, emprego, em missão, em congregação), com o texto do evangelho de S. Marcos (Mc 7, 31-37) da liturgia da celebração eucarística do 23º Domingo do Tempo Comum (9 de setembro). A passagem bíblica relata o episódio da cura do surdo-mudo. Testemunhos nos evangelhos de realidades como esta são vários: coxos, doentes, leprosos e até mesmo mortos, como Lázaro, etc. Mas há, no entanto, um aspecto, um pormenor relevante, que faz a diferença deste episódio para os outros semelhantes. Jesus não se limita a tocar ou a ordenar que caminhe, que fale, que acorde, que oiça. Jesus, no caso do surdo-mudo é muito mais concreto, mais específico e, se quisermos, muito mais exigente. No limite… “cobra” o milagre. Dirige-se ao homem e disse-lhe: “Abre-te”. Não disse um simples, fala e ouve. Foi mais longe… abre os teus ouvidos à minha palavra, liberta a tua língua para espalhares a minha mensagem e seres minha testemunha. Era este o compromisso por o ter curado.
E é este o compromisso que deve orientar o sentido missionário e evangelizador, na sua plenitude: abrirmo-nos a Deus, ouvir o Espírito Santo, anunciar e ser testemunha da mensagem de Cristo. E tal como o sentido vocacional missionário e evangelizador é dos mais difíceis de acolher, também esta passagem do evangelho de S. Marcos é das mais duras para a nossa fragilidade como cristãos, face à sua exigência de compromisso com Cristo e a Igreja.
O outro aspecto prende-se com as primeiras linhas da sua mensagem.
No seu texto refere que “As primeiras comunidades cristãs não organizavam a expansão missionária, porque tinham uma viva consciência do seu dever. Todos os seus membros em Cristo se sentiam em missão evangelizadora. A sua vida e testemunho faziam que cada dia crescesse o número dos que acreditavam e pediam o Batismo (At 2,42-47). A preocupação dos Apóstolos e seus imediatos sucessores foi fundar, entre os pagãos, pequenas comunidades de crentes, irmãos na fé, conscientes do seu dever missionário. Depois, durante séculos, a fé foi-se transmitindo na família, de modo pacífico, mas perdeu-se o ardor de fazer nascer novas comunidades cristãs”.
Permita-me, D. António Marcelino, usar estas suas palavras para exemplificarem a minha opinião sobre a missão evangelizadora de cada um de nós, cristãos. A perda do sentido e espírito de comunidade, da vivência em Cristo e do testemunho de fé, das primeiras comunidades cristãs, é um dos maiores desafios de reconquista para Igreja pós-conciliar e, de todo, conseguido até agora.
E os tempos que vivemos de uma profunda crise económica, social e cultural só “beneficiam” e potenciam que as comunidades vivam, no seu seio, em favor dos que mais precisam, um verdadeiro espírito de missão e evangelização. E, naturalmente, desta forma, poder-se potenciar muitas mais vocações missionárias no sentido evangelizador, pastoral ou de congregação.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo.